SEGUNDO CAPÍTULO
terça-feira, 20 de setembro de 2011
OS AVENTUREIROS SONHADORES
SEGUNDO CAPÍTULO
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
OS AVENTUREIROS SONHADORES
CAPÍTULO PRIMEIRO
quinta-feira, 21 de julho de 2011
OS AVENTUREIROS SONHADORES
segunda-feira, 18 de julho de 2011
FILÁUCIA
O céu repleto de nuvens brancas
E o egoísmo do vento não me deixa contemplar.
A vida é cheia de lentura e fico a imaginar os campos de flores,
Mas,... O Egoísmo resiste com forças ocultas que desvale os sonhos.
Aquele que envaidece a alma e exaure o coração.
O tempo anda... Tempos escamam o altruísmo das almas inquietantes,
Cheias de afetações e de repudias, que me deixam a cogitar os estrabos destas turbas.
O egoísmo é sempre o desfastio que enriquece a alma e traz a desavença.
... Pobres são os mortais que sonham com suntuosos campos,
Onde as almas estimam a espada em lume e afligem os que estão por vir.
Em outro desígnio o observador repara a natureza em sua forma sutil,
Onde sensos se equilibram de forma lógica.
A transparência do egoísmo se releva ao contrario do altruísmo,
Onde os centauros praticam de forma ríspida seus corações amortecidos
Onde as flores que nascem entre abrolhos, resplandecem de forma pura e bela.
Beleza maior é acreditar que exista testemunho para onde iremos.
Acreditar que tudo tem a forma de egoísmo: o amor, o prazer, os sonhos, as guerras, a paz e a inveja,
Tudo isto penetra na mais audaz das almas dos sábios.
E o egoísmo exibe sua forma sutil e destemperada,
Procurando assimilar o elemento do vinho da vida.
Eu sou sábio em querer a tua parte desse jardim de flores de acúleo,
Eu sou sábio em querer tua ânsia de prazer que descaminha a praga da paz.
Eu sou sábio em ter falsa honra de prazeres bestiais, originais e vulgares.
Eu sou sábio em querer a tua parte no esplendor da miragem.
Eu sou sábio, em juntar os elementos que serão sempre paralelos.
Anda! Com o amor que recebeste e que abate em teus sonhos...
Sonhos são como os cristais que quebram e os cacos são restos de ilusões.
Nunca temerei de agir por tudo que fiz e nem aquilo que dia deixarei de fazer.
A vida é o mais profundo dos egoísmos repleto de contradições... E te digo:
Egoísmo será sempre o carma em nossa vida....
sexta-feira, 12 de março de 2010
A espera do Trem
Estamos sempre esperando o trem na estação da vida,
a cada momento ele aparece no horizonte.
Os seus apitos anunciam a chegada de nova era
e o silêncio profano exala alma ao conforto
daqueles que sempre foram o holocausto desde a criação...
Estais agora na companhia daqueles guardiões
na esquerda sua espada de fogo, na outra o tomo da vida,
anunciando em voz alta todos os teus anais.
Não temerás a verdade, pois a verdade jamais é pura,
a verdade é simples e sempre andará contigo.
Não escolhemos lugares bons nesse trem,
pois eles já estão ditos,
percebes que tuas coletâneas e teu ópio,
não estão contigo, mas somente os teus
atos pródigos que por acaso fizestes.
De repente em frente tu verás.
O Criador de todas as coisas em devesa observa
Hoste que sempre o contemplou,
Junto dela estarás em meio a um cântico de dor
Mal saberás o que a ti te reserva
Não temeis o castigo, pois tua alma
É límpida e transparente.
Não podeis voltar porque já foi escrito
e o que fizestes já foi feito,
Assim são os desígnios daquele que te criou
Obedeças e cumpras o que foi dito.
Todos direitos reservado a poesia do autor de Mário Chaves
Formatação desconhecido
música de Raul Seixas Trem das sete D/R
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O Macaco está certo?

Depois de um longo tempo ausente estou de volta a escrever neste blog, um overflow diante de tantas miríades revisões de pareceres de Auditorias.
Levantei do aconchego do meu birô e fui dá uma volta pelos jardins da “babilônia” para desopilar a mente e encontro com um companheiro de trabalho sentado entre frondejas árvores com vários livros. Aproximei-me e perguntei:
- Para que tantos livros?
Ele de pronto afirma.
- Pois é cara! Estou estudando... Aliás, todos nós futuros advogados para que possamos exercer a profissão temos que nos submeter ao exame da OAB e você vai passar por isso, isto é, se quiseres advogar...
- Meu prezado, na minha modesta opinião é um tremendo absurdo! Não é mesmo? E te digo mais, acho que fere os princípios constitucionais, que estão lá no artº 5 no inciso XIII da Constituição Federal. Você acha o quê? Tenho ou não tenho razão?
- Talvez tenha até razão em parte, por outro lado, vou te dizer uma coisa que talvez o amigo não saiba. O Exame de Ordem existe desde 1963, é lógico que não era como os moldes de hoje, naquele tempo os estudantes quando concluíam os seus cursos faziam um estágio e depois se submetiam a uma prova que era chamada de Exame De Estágio, e logo exercia o direito de advogar. Este exame era regulamentado pela Lei 4.215/63.
- Todas as universidades naquela época faziam esses estágios e logo depois uma prova básica relativa ao que foi visto no estágio e então recebiam autorização de advogar. O pior que não era obrigatório e muitas vezes com as influências paternalistas e um jeitinho brasileiro, bem conhecido, havia um faz de conta e logo o bacharel exercia a profissão, tendo bastante êxito. Tem muito exemplo disso, mas nem por isso deixaram de ser grandes advogados ou até mesmo grandes magistrados.
- Com o golpe de 1964, aos olhos dos militares e pela incidência de manifestantes presos, que na maioria eram estudantes de Direito recém formados e conhecedores profundos da política de hostilidades que o regime supria pelos milicos e com a certeza, representavam uma ameaça aos propósitos deste novo regime. Talvez isto possa ter sido um atenuante para se criar um projeto, para diminuir os números de advogados fazendo com que a população não tivesse as informações e permanecesse na ignorância, sem conhecer os reais deveres da cidadania.
- O tempo foi passando, por volta de 1993 surgiu um projeto reformulando a Lei 4.215/63 colocando em seu artigo 8º, a obrigatoriedade do estudante de Direito prestar exame para OAB. Pior é quando analisamos o artigo 5º e o inciso XIII da Constituição Federal veremos que a OAB fundamentou-se no próprio artigo e seu inciso para regulamentar o exame da ordem. Certo?
- Não entendi!
-Vou explicar melhor. O que diz o inciso XIII diz?
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelece 1
- Mas quando lemos as quatro palavras na última frase e interpretando dentro do posicionamento jurídico verificamos que o direito do trabalho é considerado um direito fundamental do ser humano. Por isso, a constituição garante a cada um o direito de escolher livremente a própria profissão, respeitando as habilidades profissionais que a lei exigir. Então foram estas duas palavras o “Calcanhar de Aquiles” que fundamentou tudo isso. Entendeu!
- Certo! Agora entendi... E daí?
- Então vejamos.
Por volta de 1993 existiam manifestações de grupos do direito que se achavam os donos da verdade, antigos jurista da velha guarda grandes conhecedores da matéria faziam acontecer o que eles queriam e trataram logo de legalizar o concurso.
- Alguns até dizem, que havia rachaduras de blocos uns que eram do contra e outros a favor do exame e nas reuniões se digladiavam em busca de soluções para aprovar ou não. Mas com o advento de outras faculdades particulares e fundações, já com turmas de direito formadas e outras tantas em andamento, sentiram-se que a hora era essa, de criar um projeto para impedir que os novos advogados exercessem logo de pronto a sonhada careira de advogado sem que antes passassem pela aprovação da OAB.
- Então foi criada a Lei nº 8.906/94, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB e foi inserida, no contexto Legislativo Federal, a exigência, para a inscrição do Bacharel em Direito como advogado, de “aprovação em Exame de Ordem” (art. 8º, inciso IV). Claro que criou certo constrangimento aos futuros advogados com o advento dessa nova lei.
Quando foi em 1995, a Lei nº 8.906/94, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB entrou em vigor e daí marcaram os primeiros exames da Ordem, começando a surgir diversos posicionamentos contrários dos legisladores que argumentavam que se tratava de afronto às Faculdades de Direito do Brasil, que as mesmas possuíam em seus currículos matérias obrigatórias exigidas pelo MEC, assistências judiciais e prática jurídica, com propósito de incentivar os futuros advogados ao exercício da profissão.
- Mas, como tudo nesse Brasil são os poderosos quem batem o martelo e usam argumentos poucos convincentes, tiveram a brilhante idéia de dizer que o exame da ordem era uma ferramenta importante para valorizar a classe como também proporcionar qualificação do Bacharel em desenvolver, ou melhor, a desempenhar a sua profissão.
- Uma pergunta que não deixa calar: Esse exame com toda sua rigorosidade qualifica o profissional em direito a desempenhar seu papel como advogado no que tange aos seus conhecimentos éticos e jurídicos? É claro que não. E outra... Porque não se cobrar também exame de qualificação profissional para outras Faculdades como, por exemplo, Medicina, Odontologia, Veterinária, Engenharia, Arquitetura e outras.
- Os exames da OAB dos últimos anos estão sendo feitos com muita rigorosidade exigindo por demais conhecimentos, chegando a níveis altíssimos, que qualquer profissional atuante como advogado seria reprovado. Portanto tem algo de errado com esse exame e não convence a ninguém as razões expostas pela OAB.
- Vou citar três coisas fundamentais desta discordância elementar deste exame.
- O exame do vestibular é que qualifica o estudante a ingressas na universidade com todas as prerrogativas legais. Certo?
- As aprovações nas disciplinas cursadas dão o direito ao dicente a seguir o seu curso. Certo?
- A colação de grau é um ato legitimo constituindo um direito legal com todas as prerrogativas legais para exercer a profissão pretendida. Certo?
- Então, diante dessas simples argumentações é necessário ainda o graduado se submeter a um exame para se qualificar e ser verificado se ele está dentro dos parâmetros da OAB para exercer a carreira de advogado? Por outro lado não seria melhor o próprio mercado escolher quem é bom profissional ou não? Todos seriam registrados no conselho pagariam suas mensalidades como manda a lei. Seria ou não uma boa opção?
- Mas isto não seria tudo, não apenas recolher anuidades é preciso que OAB represente mais a classe dando oportunidades para o profissional desempenhar um papel dentro da sociedade promovendo curso criando assim uma educação continuada aprimorando os conhecimentos dos seus filiados com cursos palestra convenções em todo Brasil. Será que existe este compromisso?
- Outro dia estava lendo uma petição de um advogado, fiquei triste em fazê-lo, cheia de erro de português e com toda certeza esse passou pelo exame e teve uma nota de aprovação merecida, não sabendo nem redigir uma petição de acordo com gramática vigente. Com erros ortográficos grosseiros e de concordâncias e fora as suas fundamentações jurídicas de péssima qualidade. Então e ai, como fica?
- Muitos vão dizer que isto é besteira. Petição é o traste que rola na Internet não precisa fazer já existem feitas e a fundamentação é outra joça que existe é só Ctrl C + Ctrl V.
- É lógico que existem arquétipos de advogados que são bons, pois todas as regras têm suas exceções, mas é claro e evidente: um advogado graduado que continua seus estudos fazendo especializações em diversas áreas e chega até o grau de doutorado ou de mestrado caso fosse se submeter a fazer o exame da OAB, hoje não conseguiria aprovação, acredite se quiser. Com toda certeza sairia reprovado.
- O que quero dizer que sou contra esse exame. Não vejo muita objetividade. Sou a favor da Lei do Mercado, da Oferta e da procura. São duas forças para regular o mercado. Isto é notório, transparente e sem contestação.
- Fazendo uma analogia dentro do contexto excêntrico educacional a oferta e procura teria essas conotações: o bom conhecimento adquirido ao longo da sua carreira universitário um bom estágio, bom conhecimento da teoria, uma prática no núcleo jurídico, todos esses aprendizados chamaria de oferta, que o profissional poderia oferecer dentro do mercado de trabalho.
- E a procura? Seria todos estes frutos colhidos ao longo do caminho, a confiança, o conhecimento e o amadurecimento profissional e principalmente ter atitude. O resto se tira de letra. É claro que esta procura depende do esforço de cada um. É lógico que um péssimo aluno sempre será péssimo profissional Ai que entra a lei do mercado!
- Cada dia o mercado é mais exigente e não precisa ter passando pelo processo seletivo exigido e nem por entidade de classe profissional, até digo que cliente se ganha com propaganda de boca em boca, fazendo um bom trabalho com ética, ou melhor, cliente não se ganha se conquista. E diz o senhor Padreco vigia do meu escritório. “O sol nasce para todos; a sombra para quem merece”... Ou melhor, para quem têm competência. É pura verdade. Pense bem nisso.
- Esperemos que um dia a OAB mude esse pensamento de se achar mais que as instituições autênticas genuínas e legítimas responsáveis pela educação do país.
Mas, enquanto isso não acontece, devemos nos submeter ao nefasto exame de ordem e estudar muito, porque na verdade seremos mais uma vitima produzida pelos vitimários da educação tupiniquim.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Almas Indianas
Recordar é viver diz o velho ditado...
No blog temos a liberdade de expressar os nossos sentimentos de toda as formas possíveis e recebemos comentários de amigos que muitas vezes só conhecemos virtualmente. Mas sempre é um prazer receber comentários.
Isto faz com que abrimos espaço para grandes amizades.
A comunicação informatizada interagiu de tal forma que não existem distancias entre os povos, como dizia o meu velho pai: Um dia não haverá distancias só existiram os caminhos..
Em umas das minhas postagens surgiu um nome de Aníbal malequê no começo eu achei estranho este nome, pois era um nome de um apelido que tinha colocado em um amigo indiano, que morava na rua Alexandre Baraúna, um pouco abaixo da rua, perto do canal do jardim América. Por isso resolvi escrever esta postagem.
Um detalhe, se for mesmo o Aníbal Malequê o indiano que conheci há muito tempo atrás com certeza irá manifesta-se com as historias que passarei a contar e os segredos que jamais contei a ninguém.
Isto só acontece quando a alma fica em desatino procurando as vertentes da consciência, forçando os lábios a falar coisas que foram muito significantes.
Uma coisa eu tenho a certeza que este nome de Aníbal Malequê é apelido e não nome próprio. Porque...não existe e nunca existirá um indiano com nome desse.
A vida é uma caixa de presentes...Cheias de surpresas, para não deixar duvida resolvi homenageia-lo contando trechos de nossas vidas que acontecerá em nosso pacato bairro de classe media, onde tudo era um motivo para achar que a vida tem que se vivida intensamente todos os dias.
Aníbal malequê era o apelido que coloquei devido a sua largas sobranceiras do Aníbal um dono de uma mercearia no montese e malequê devido o ser raquítico com jeito pilhérico. Então...Juntei os nomes e o chamava de Aníbal Malequê. Mas na realidade o seu nome era Rachid abhaya.
Rachid era um indiano esquisito cheio de onda gú com vestimentas extravagantes usava um perfume de encenso de um falar arrastado com a voz amena mais possuidor de um grande caráter de um coração leal e carismático.
Lembro demais da sua chegada no bairro e no dia que o caminhão de mudança chegou em sua nova morada.
Nos anos de 1960 a maior das brincadeiras era passear de bicicleta por todos os bairros e descobrindo novos lugares, fazendo vários amigos e curtindo as tertúlias nas casas das garotas ao som do rock roll e o twist.
Em certa ocasião em pleno mês de junho época de festividade junina onde o ar fica leve os ventos ficam mais fortes e corre uma brisa serena e festiva. Não sei se todo mundo tem sensibilidade de sentir...Pois eu sinto sempre em todos meses de junho.
Um dia de manhã aquieta do mês de junho estava passeado pela rua Alexandre baraúna e já no final da rua aproximou-se um caminhão de mudança para em frente de uma casa que estava para ser alugada e que ainda existia a placa com respectivos dizeres de Aluga-se Casa. Então desceram quatro pessoas: um casal, uma menina e um menino com indumentária estranha bem diferente e fiquei admirando os desconhecidos. Foi então que se aproximou um senhor de chapéu do panamá de paletó branco bem vestido olhou para família e falou em um língua diferente. E do outro lado da calçada, outro homem bem alto de cor morena com sobrancelhas largar cumprimentou de uma forma .bastante estranha. O homen de branco aproximou-se do homem estranho ficou trocando palavras que não conseguir entender bem o que eles falavam, só sei que fiquei muito confuso e atônico.
Enquanto isso os homens da mudança descarregava os seus objetos e aos poucos o caminhão ia ficando vazio. O mais curioso disso tudo é que eles tinham poucos moveis, mais em compensação uma quantidade de tapetes cortinas e caixa mais caixa de roupas de cores. Eu achava muito interessante e ficava a pensar que se tratava de uma artista de circo famoso, que se apresenta em uma das praças de Fortaleza ou mesmo em nosso Bairro.
Voltei para casa e fui contar esta novidade pra minha mãe. Quando cheguei, ela foi logo perguntando onde eu andava e fui logo contando as novidades da estranha mudança que eu tinha presenciado.
Por surpresa minha, ela ficou irritada comigo e disse que nunca fizesse isto de novo, de ficar observando coisa nos outros e logo me mandou subir para meu quarto, onde fiquei lendo o livro de Eça de Queiroz que tinha o titulo as minas de Salomão era um bom livro gostava das aventuras e lia páginas por paginas e no contexto ia imaginado e vivendo cada momento as passagens desta aventura.
De repente ouvi som de um relógio de corda alemão que ficava na sala de jantar de minha casa, era muito bonito que tocava em quinze em quinze minuto, suando um carrilhão com som de sinos a cada hora e seus badalos eram fortes marcando cada tempo às horas, era bonito este relógio. Hoje, está em minha sala tocando e registrando os acontecimento de um novo tempo, imóvel com o seu pêndulo em movimento manso bem característico e repetindo o mesmo carrilhão como nada soubesse da historia.
O tempo ia passando e não saía de minha cabeça aquela gente tão estranha que tive o prazer de observá-la. Pois, em todo meus passeios, sempre retornava a passar em frente aquela casa que ficou conhecida por mim como a Casa do Circo.
Os meses foram se passando, quando chegou no fim do ano época do natal existia atrás de nossa casa uma praça enorme onde íamos andar de bicicleta e brincar de jogar futebol. Esta praça era chamada Presidente Franklin Delano Roosevelt, que até hoje eu ainda não sei porque colocaram este nome de um presidente americano, pois não tenho nenhum conhecimento de um fato heróico em pro dos Brasileiros. Principalmente de nós Cearenses.
Acho, que esta praça devia ser chamada de Praça do Jardim América e pronto.
Pois foi desta praça, os meus primeiros contatos com esses estranhos.
Eu estava passeando, quando de repente aparece em minha frente uma menina em uma bicicleta que tinha uns cabelos grandes bem pretos passando na frente fazendo zig-zag e repente ela caiu, ficou na calçada chorando e fui socorrê-la deste acidente, estava com joelho muito machucado.
Como minha casa tinha fundos correspondentes com a praça, levei para casa para ser medicada. Então seu irmão chegou e ficou falando umas palavras em uma língua estranha, mas insistir levar até minha casa.
Minha mãe, tratou-lhe com todo carinho e eles, continuavam a falar com esta língua estranha, até que finalmente ela olhou para mim disse obrigada...e completou com palavras estranhas. A Partir daí, ficamos amigos e a lembrança desta amizade ficou para sempre.
No começo do outro ano quando fui estudar no colégio Cearense a primeira pessoa que encontre foi com Aníbal Malequê e ficarmos no intervalo de cada aula conversando.
Em uma desta conversa perguntei em que lugar da índia eles moravam? Então ele disse que era do Sri lankar, é que seu pai tinha sido convidado pelo governo brasileiro para ensinar Matemática na universidade daqui.
Depois de bom tempo que soube da verdadeira historia de seu pai. Era verdade, que seu pai era professor, mas o motivo de sua vinda para o Brasil foi devido uma revolução civil existia no Sri Lanka, desde quando se tornou independente da Inglaterra, criou uma facção separatista concentrado ao norte do país então uns grupos de tamiles passaram a querer dominar os singaleses, então institui um clima de rebeliões entre eles. Foi por este motivo que ele vieram para Brasil.
Um dia ele levou-me para sua casa e apresentou-me a sua mãe. Era uma senhora muito bonita tinha uns cabelos grandes olhos negros e grandes e sua pele era de cor morena, era bem fascinante. Gostava de escrever em uma maquina estranha com os tipos horizontais, mas tinha uma habilidade e eu ficava horas admirando como escrevia. Ela também era professora de artes, ballet, dança e pintura. Tinha um carinho todo especial por mim ensinou-me a dança raga com Rutajit sua filha que a conhecera no acidente da bicicleta, foi deste momento é que reparei como era linda, vestida com sari azul cobrindo o seu corpo escultural de cor que ninguém possui, cheio de bijuterias e de aroma das plantas silvestres, fui dançando o raga envolvendo entre laços de supostas caricia e gestos sexuais. E bom que se diga modestamente eu dançava muito bem.
Foi com Rutajit que participei de uma peça teatral fazendo o papel de marido e tinha um papel fundamental na peça, com personagem com o nome de Nagib. Não tardou muito ficamos íntimos a ponto de ensina-me as primeiras continências e as fantasias lascivas, tudo isso ao som do sucesso da música de The sound of silence.
Na índia a musica representa muito para eles em todos os sentidos é a expressão maior de afeto, tristeza, prazer é tudo dentro do contexto espiritual.É por isso que musica é chamada de raga.
Mas o que é Raga. A raga surgiu ao no norte da índia desde o século XVII literalmente tem um significado de cor, sentimento, é uma combinação de sons e intervalos que podem variar até um infinito dentro de um modulo fixo e as emoções que ela desperta.
Cada raga representa um estado de espírito e tem um propósito de suscitar ou prolongar determinado estado da alma do ouvinte e sua duração oscila entre duas horas e minutos, isto vai depender muito do espírito do ouvinte e seu estado da alma.
A diversos tipos de raga para ser preciso existe quatro tipos: raga megh, raga todi,raga vasant,raga Ialit, cada dança com a sua característica.
Lembro bem quando sua mãe saía para universidade ela dançava, quando tinha um alivio de alguma preocupação e tinha a mente para amor e dizia que era A chuva e amor romântico, que estava relacionada ao deus Siva e reapresentava o alivio que traz a chuva depois do calor o despertar da natureza e do amor romântico ela a chamava de raga megh.
Lembro quando fizemos uma peça A dama de alaúde, onde representava o sentimento a ternura e a solidão de uma dama que procura o consolo nos três cervos e no toque da Vina do alaúde que um instrumento musical de sete cordas e ela tocava maravilhosamente. Este dança chamava-se de raga todi. Foi nesta música que entendi que a solidão é um deserto que cada um sente em cada estado da alma e sempre a sua vontade.
Nas noites no começo da primavera tinha uma dança que era chamada A Alegria da Primavera, que se dava o nome de raga vasant que representava a alegria da primavera e era dançada debaixo de uma arvore recém-florida e o casal dançava sendo acompanhado de um tambor.
Lembro-me no dia 18 de novembro de 1967 oito dias depois de ter perdido meu pai estava em casa quando eu soube a noticias que seu baba tinha tido um infarto e veio a falecer. Imediatamente fui sua casa encontre todas luzes acesas e cheiro de incenso por todos lados e um som de dor e lágrimas e pétala de flores no meio da sala no centro o corpo envolto em pano de linho estava o corpo do seu pai. Está cena jamais saíram da minha mente.
Três meses depois do funeral ela voltou a dançar todas vezes na quarta e nas sextas e era sempre o raga.
Por volta do ano de 1972 quando ela dançou pela última vez para mim, uma dança que tinha o nome de raga Ialit e representava A despedida dos amantes e Rutajit explicou-me depois que representava. Era a dedicação ao amanhecer e as novas esperanças e também a despedida de seu amado com um misto de ternura e tristeza, a dança tinha som suave e apaixonante. Foi então que entendi que mesmo uma mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração e ela era uma delas.
Depois deste dia ainda fui varias vezes a sua casa e ela sempre chamava para confortar sua alma indiana, onde seus deuses foram tão cruéis e ao mesmo tão generosos para comigo.
De repente eles foram embora e nunca mas eu os vi. Mais o convivo que tive com estes estranhos significaram muito para mim. Pois aprendi a lidar com os sentimentos. Aprendi a compreender as reais diferenças do amor entre os seres humanos e a entender que somos iguais cheios de falsos moralismos, onde cada um se julga merecedores e puros. Aprendi que o orgulho e o carma que atrapalha a alma. Aprendi que vaidade almoça o orgulho e janta o desprezo. Aprendi que o destino conduz o que consente e arrasta o que resiste. Aprendi que a menor distancia entre dois pontos nunca é uma reta. No amor representa a mesma suposição é sempre uma incógnita.
Meu amigo Aníbal Malequê estou sensibilizado com sua presença e ouso a lembrar de sua mãe quando nos contava a historia da arvore caída lembra. Dizia:
Aquele que se sente ferido pela adversidade, devem ter coragem, pois dias melhores virão e certamente, em que, como o velho pinheiro petrificado, poderão realizar um grande e nobre missão em benefício de seus semelhantes.
O que quero te dizer ao longo destes anos na minha vida passei por varias adversidades e nunca esqueci desta historia. E foi com está historia que tive forças para levantar e sempre digo que tudo que acontece em nossa vida nada é por acaso.
Lembramos sempre que o importante é ver que a nossa ânsia é vã, gozemos o dia de hoje, que incerto é dia da manhã.
Portanto, compartilhamos com as nossas crenças e com a nossa fé, para que sejamos sempre amigos.
Obrigado amigo...




